domingo, 14 de fevereiro de 2016

Presente (Luís Fernando Veríssimo)



           Interpretação 
PRESENTE
Aconteceu neste natal. Ele mostrou o presente recém desembrulhado.
– Meias.
– E o que mais?
– Mais nada. Só meias.
– Nem um lenço?
– Meias. Eu entrei na lista.
– Que lista?
O outro se inclinou para ouvir melhor. A família era grande e ruidosa e na hora de abrir os presentes ficava ainda mais ruidosa.
– A lista das meias. Existe uma lista das pessoas que, segundo eles, só devem ganhar meias no Natal.
– Quem são “eles”?
– Os que fazem as listas.
– Quais são os critérios?
– Você entra na lista das meias quando eles decidem que você não precisa, não merece ou não se interessa por mais nada. Ou não tem mais idade para outra coisa.
– As listas, então, são por idade?
– São. Existe a idade de ganhar brinquedos e jogos. Obviamente, nós não estamos mais nela. A idade de ganhar carteira de dinheiro. Depois a idade de ganhar dinheiro num envelope para gastar como quiser…
– Com a recomendação de não gastar tudo em mulher.
– Isso! Depois livros, discos, bebidas…
– Este ano eu ganhei um vinho.
– Sinal de que você está se aproximando da lista das meias. No ano passado, eu ganhei um vinho. Este ano eles decidiram que o álcool pode me fazer mal. Me deram meias.
– Você não pode pedir para sair da lista das meias?
– Impossível. Quem entra na lista das meias, entra, automaticamente, na lista dos que não são mais ouvidos sobre assunto nenhum. Inclusive as listas.
– Podiam dar uma gravata.
– Não. Gravata dá a entender que esperam que você ainda vá a algum lugar. De gravata. Dão meias, para ficar em casa.
– Uma loção…
– Cheirar bem pra que, na minha idade? Meias.
– Você poderia dar uma indireta…
– Passei o ano inteiro dizendo que estava precisando de um guarda-chuva novo. Guarda-chuva? Para sair na rua? Ainda mais com chuva? Meias.
– Quem entra na lista das meias, então…
– Só sai para entrar em outra lista. Ainda mais irrevogável e terrível.
– Qual?
– A das meias de lã.
– Essa é definitiva.
– É. Dos que estão na lista de meias de lã se presume que não têm outra ambição ou gosto na vida senão manter os pés quentes. Meias de outro material ainda deixam subentendida a possibilidade, mesmo remota, de uma recuperação. A medicina hoje faz milagres, você ainda pode voltar para a lista da loção. Até mesmo da gravata.
– Mas da lista das meias de lã ninguém sai…
– Com vida, não.
Luís Fernando Veríssimo
1-      O texto lido é:
a.(      ) uma lista        b. (     ) crônica      c.(      ) uma receita     d.(      ) uma notícia    e. (     ) uma fábula

2-      A narrativa do texto é feita em:  (          ) em 1ᵃ pessoa, pois o narrador participa da história.
                                                          (          ) em 3ᵃ pessoa, pois o narrador só conta os fatos .
Justifique sua resposta com um trecho do texto.
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3-      Quais são os personagens que aparecem na história? 


4-      Os personagens do texto não possuem nomes, mas pelo contexto podemos dizer que:


a.       (     ) as personagens são um casal de idosos.
b.      (  ) as personagens são um senhor e um jovem.
c.       (      ) as personagens são duas senhoras.
d.      (     ) as personagens são dois senhores.
e.       (   ) as personagens são um avô e seu neto caçula



5-       Onde e quando ocorrem os fatos narrados?  Justifique sua resposta com um trecho do texto.


6-      Qual o conflito vivido pela personagem:


a.       (       ) Não ter entrado na lista de presentes.
b.      (    ) Ter recebido de presente um guarda-chuva.
c.       (       ) Ter entrado na lista de meias
d.      (       ) Ter entrado  na lista de brinquedos.
e.       (       ) Não ter entrado na lista de meias de lã.



7-      Os presentes do texto possuem um significado. O que significa receber:

a.       Meias___________________________________________________________________________
b.      Gravata_________________________________________________________________________
c.       Dinheiro________________________________________________________________________
d.      Vinho__________________________________________________________________________
e.       Loção__________________________________________________________________________

8-      Como eram feitas as listas de presente? Se você fosse um dos personagens do texto estaria em que lista de presente?      



9-      No trecho “Você poderia dar uma indireta…” o termo destacado significa:


a.       (      ) sugerir de modo informal o que se deseja ganhar.
b.      (      ) exigir o que se quer ganhar.
c.       (      ) ameaçar a pessoa para que dê  o presente que deseja.
d.      (      ) impor que se compre o que se deseja ganhar.
e.       (      ) subornar a pessoa para receber o que se deseja.

10-  Por que a lista de meias de lã é definitiva? Justifique sua resposta.

O bom de ser criança. (Luís Fernando Veríssimo)


      Interpretação
O BOM DE SER CRIANÇA

            Acordo cedo e saio a caminhar pela casa. Entro na sala de estar, que ainda tem os destroços da festa. Papel de embrulho descartado, restos da algazarra que fizemos abrindo os presentes na noite anterior. Os cheiros da festa também ainda estão no ar. Bebida, peru assado.
            Lembro que os presentes também tinham cheiro. Bola de futebol nova, por exemplo. As bolas eram de couro mesmo, com a cor natural e o cheiro do couro, e com cadarço. Você não sabia se já saía chutando a bola ou se guardava aquela preciosidade à salvo de chutes e arranhões, só para cheirar.
            Lembro que no mesmo Natal em que ganhei minha primeira bola de tamanho oficial ganhei outro presente: um kit com uma estrela de xerife, um revólver, um cinturão de caubói com coldre e um cilindro cheio de fitas de espoletas. Colocava-se uma fita de espoletas no revólver e acionava-se o gatilho, fazendo estourar as espoletas. Outro cheiro inesquecível do Natal, o de espoleta recém-deflagrada. Sem saber escolher entre um presente e outro, eu afivelei o cinturão (com babados no coldre) em torno do corpo franzino e saí abraçado com a bola e dando tiros, iniciando uma carreira inédita de jogador de futebol caubói, até a mãe ordenar que parasse porque ninguém conseguia conversar na sala. E foi nesse Natal que conheci o Papai Noel.
Tinham anunciado que naquele ano receberíamos o Papai Noel em casa.
Ele não deixaria apenas os nossos presentes, misteriosamente, como das outras vezes. Apareceria. Em pessoa! E à noite lá estava o Papai Noel batendo na nossa porta, e sendo recebido por mim, minha irmã, um primo e várias crianças da vizinhança, todos de boca aberta. Era ele mesmo, não havia dúvida. A roupa vermelha grossa, o gorro, a barba branca, as bochechas rosadas e o saco.
            O maravilhoso saco, de dentro do qual tirou nossos presentes - a bola de futebol, o revólver de espoleta, como ele sabia que era o que eu queria? Depois deu tapinhas na cabeça de cada um, disse qualquer coisa e desapareceu. Mais tarde entrei na cozinha e dei com o Papai Noel sentado, conversando com a cozinheira e tomando uma cerveja. Tinha tirado a máscara. Reconheci a sua cara suada: era o Bataclan, uma figura folclórica de Porto Alegre, um negro que fazia propaganda - "reclame", chamava-se então - na rua. Não lembro como eu racionalizei a revelação. Se deixei de acreditar no Papai Noel ali mesmo, se passei a acreditar que o Papai Noel, quando não estava em serviço, era o Bataclan, e vice-versa. Talvez não tenha concluído nada. O bom de ser criança é que a gente não precisa racionalizar.
                                                                                                                  Luís Fernando Veríssimo.
1-      O texto lido é:
a.(       ) uma fábula    b. (        ) uma crônica      c.(        ) uma notícia      d. (       ) um texto informativo

2-      Qual é foco narrativo do texto?
(       ) 1 ᵃ pessoa: narrador- personagem                 (          ) 3 ᵃ pessoa: narrador- observador
Justifique sua resposta com um trecho do texto.

3-      Quais são as personagens citadas no texto? E qual delas é a personagem principal?

4-      Onde se passa a história? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

5-      Em que época do ano aconteceu os fatos narrados no texto?  

6-      Quem era Bataclan?

7-      Segundo o texto o que é reclame?
 a.       (        ) folclore.         b. (        ) algazarra     c.(       ) propaganda      d.(        ) reclamação

8-      Identifique no texto “O bom de ser criança”:
1-      Situação inicial- apresentação dos fatos.
2-      Conflito- o fato que muda a situação inicial
3-      Desenvolvimento- ações das personagens e suas consequências.
4-      Clímax- ponto máximo da narrativa que encaminha para o final
5-      Desfecho- final
a. (     )  “Acordo cedo e saio a caminhar pela casa.[...] Os cheiros da festa também ainda estão no ar. Bebida, peru assado.” 
b. (    ) “Lembro que os presentes também tinham cheiro. [...] Lembro que no mesmo Natal em que ganhei minha primeira bola de tamanho oficial ganhei outro presente: kit com uma estrela de xerife, um revólver, um cinturão de caubói com coldre e um cilindro cheio de fitas de espoletas. [...] E foi nesse natal que conheci o Papai Noel. Tinham anunciado que receberíamos o Papai Noel em casa”. 
c. (     ) “E à noite lá estava o Papai Noel batendo na nossa porta, e sendo recebido por mim, minha irmã, um primo e várias crianças da vizinhança, todos de boca aberta. Era ele mesmo, não havia dúvida. [...] O maravilhoso saco, de dentro do qual tirou nossos presentes [...] deu um tapinha na cabeça de cada um, disse qualquer coisa e desapareceu.”
d. (   ) “Mais tarde entrei na cozinha e dei com o Papai Noel sentado, conversando com a cozinheira e tomando uma cerveja. Tinha tirado a máscara. Reconheci a sua cara suada: era o Bataclan, uma figura folclórica de Porto Alegre, um negro que fazia propaganda [...]”
e. (     ) “Se deixei de acreditar no Papai Noel ali mesmo, se passei a acreditar que o Papai Noel , quando não estava de serviço era o Bataclan, e vice-versa. Talvez não tenha concluído nada. O bom de ser criança é que a gente não precisa racionalizar.”
9-      Qual dos cinco sentidos faz despertar as memórias do personagem?

10-  O que o autor quis dizer com: “O bom de ser criança é que a gente não precisa racionalizar.”?
11- O que fez esse Natal diferente dos demais?

12- Relacione as palavras e expressões retiradas do texto aos seus significados:
a.         “boca aberta”                             (         ) prender 
b.         “corpo franzino”                        (         ) restos 
c.         “destroços da festa”                  (         ) confronta-se
d.         “afivelei o cinturão”                  (         ) admirados   
e.         “dei com Papai Noel”                (         ) magro     

Aquelas coisas de sempre (Luís Fernando Veríssimo)



AQUELAS COISAS DE SEMPRE
                                                                                                                                                                            Luís Fernando Veríssimo
Tenho inveja dos cronistas novos. Não porque eles não sabem que todas as crônicas de Natal já foram escritas e podem escrevê-las de novo. Mas porque podem fazer isto sem remorso.
Tem a crônica de Natal tipo “o que eu gostaria que Papai Noel me trouxesse”. A Luana Piovani ou um fac-símile razoável, a paz entre os povos, um centroavante para o Internacional (ou um fac-símile razoável) etc.
Tem as infinitas variações sobre problemas encontrados por Papai Noel no mundo moderno (seu trenó levado num assalto, sua dificuldade em se identificar em portarias eletrônicas, protestos de ambientalistas contra o seu tratamento das renas, suspeita de exploração de trabalho escravo, suspeita de pedofilia etc.).
Tem as muitas maneiras de atualizar a história da Natividade (Maria e José em fila do SUS, os Reis Magos chegando atrasados porque foram detidos por patrulhas israelenses ou militantes palestinos, Jesus vítima de uma bala perdida).
Tem as versões diferentes da cena na manjedoura, inclusive — juro que já li esta, se não a escrevi — narrada do ponto de vista do boi.
Todas já foram feitas.
Há tantas crônicas de Natal possíveis quanto há meios de se desejar felicidade ao próximo.
Os cartões de fim de ano são outro desafio à criatividade humana. Pois todas as suas variações também já foram inventadas.
Quando eu trabalhava em publicidade, todos os anos recebia encomendas de saudações de Natal e Ano Novo “diferentes”, porque os clientes não se contentavam em apenas desejar que o Natal fosse feliz e o Ano Novo fosse próspero.
Uma vez sugeri um cartão de Natal completamente branco com a frase “Aquelas coisas de sempre…” num canto, mas acho que este foi considerado diferente demais.
E dê-lhe poesia,  pensamentos inspiradores,  má literatura e a busca desesperada do diferente.
Um cartão em forma de sapato, de dentro do qual saía uma meia: a meia para o Papai Noel encher de presentes e o sapato para entrar no Ano Novo de pé direito. Coisas assim.
Enfim, tudo isto é apenas para desejar a você aquelas coisas de sempre…
Vocabulário:
Fac-símile [1] (do Latim fac simile = faz igual) é toda cópia ou reprodução de letra, gravura, desenho, composição tipográfica etc.[2]

1-      O texto lido é: (       ) fábula     (       ) notícia     (       ) crônica    (      ) texto informativo

2-      Qual é o tema do texto?  

3-      O texto é narrado em 1ᵃ pessoa  ou em 3ᵃ pessoa?   Justifique sua resposta com um trecho do texto.  


4-      Quem  é provavelmente o narrador do texto? 


5-      Qual o conflito vivido no texto? Justifique com um trecho do texto. 



6-      O que ele quis dizer com  “...desejar  aquelas coisas de sempre”?



7-      Dê o significado das palavras retirados do texto:

a.       Remorso                                                                      c. Natividade           
   b. Manjedoura                                                                  d. um fac-símile razoável

8-      Quantas e quais são as versões de crônica de Natal apresentadas no texto? 

9-      Quais as críticas feitas pelo cronista em:

a.       “... um centroavante para o Internacional (ou um fac-símile razoável

b.       “...Jesus vítima de uma bala perdida”.

c.       “Maria e José em fila do SUS”.

d.      “Papai Noel suspeita de exploração de trabalho escravo”.  


e.      “os Reis Magos chegando atrasados porque foram detidos por patrulhas israelenses ou militantes palestinos”.


10-   Na sua opinião,  por que o cartão Natal completamente branco com a frase “Aquelas coisas de sempre…” num canto, sugerido pelo personagem não agradou?


11-   Apesar do personagem dizer  “Os cartões de fim de ano são outro desafio à criatividade humana. Pois todas as suas variações também já foram inventadas.”, Crie um cartão de Natal  para  um colega.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Trabalhando as conjunções

Para trabalhar as conjunções montei um vitral das conjunções com o quadro do Romero Britto.

                 Pinte o os espaços com as conjunções e acordo com  o código:   verde claro:  conjunção concessiva;   verde escuro: conjunção conformativa;  rosa: conjunção final;     vermelho: conjunção consecutiva laranja: conjunção alternativa; marrom: conjunção aditiva;          preto: conjunção conclusiva; azul claro: conjunção adversativa;   azul escuro: conjunção condicional;   roxo: conjunção causal;    amarelo: conjunção comparativa;   branco: conjunção proporcional.



domingo, 4 de outubro de 2015

Interpretação de charge sobre Pequenas Corrupções

    



    1-   Qual é o tema abordado na charge?


    2-    O que o menino está fazendo na charge? 


   3-  Qual ato de corrupção é praticado pelo menino?

  a.   (          ) Falsificar     b. (          ) Subornar    c.  (         ) Mentir     d. (         ) Não cumprir com deveres.


  4-  Em que consiste a graça na charge? 


  5-  Observe a expressão dos personagens da charge. Depois  responda as perguntas justificando-as.

   a.    A professora é adepta da corrupção? 



   b.  Qual será a nota que o menino vai tirar?